abertura
Muito tem se escrito sobre Violette Leduc atualmente. Sua vida e sua obra têm sido avaliadas e utilizadas como objeto de estudo em universidades, e também como tema para livros de diversos autores.
The Pleasures of the Text: Violette Leduc and Reader Seduction | Elizabeth Locey | 2002 | Rowman & Littlefield Publishers
Esta leitura provocativa da “escandalosa” escritora francesa Violette Leduc — considerada grande autora por Beauvoir, Sartre, Genet, Camus — propõe uma divisão entre o corpo e o texto na literatura erótica. Em The Pleasures of the Text Elizabeth Locey atribui a si mesma a tarefa de fixar as formas freqüentemente lúbricas em que o prazer é traçado no corpo do leitor, confrontando-as e desafiando a um debate filosófico dos limites entre a pornografia e o erotismo.
Violette Leduc: La Mise en Scene du "Je" | Mireille Brioude | 2000 | Rodopi
Este estudo crítico da obra de Violette Leduc demonstra como a teatralidade de uma escrita autobiográfica pode significar o desdobramento espetacular entre o indivíduo e o sujeito da ação. O livro aprofunda a noção da teatralidade, não tanto no sentido rimbaudiano do “je est un autre”, mas numa perspectiva que alia a semiologia do texto e semiologia da representação dramática. Um estudo do modo cujo espaço e tempo textuais delineiam “jeux de scene” (jogos de cena) contendo, no centro, a figura do escritor no ato da escrita.
La Plume et le Bâillon | Francoise d'Eaubonne | 2000 | Esprit Frappeur
Os artistas malditos não pertencem apenas ao passado. No século XX, três escritores franceses foram execrados por haverem celebrado amores diferentes. Enquanto alguns textos de Violette Leduc passaram em silêncio, os de Nicolas Genka foram simplesmente proibidos. Quanto a Jean Sénac, ele foi assassinado em condições misteriosas em 1973. Françoise d'Eaubonne, que conheceu de perto estes autores em Saint-Germain-des-Prés, desmonta os mecanismos da censura e nos faz descobrir a beleza literária destes três artistas amordaçados.
Mon cas n'est pas unique | Sabine Schrader | 1999 | Metzler
A obra de Sabine Schrader constitui-se numa profunda pesquisa sobre o discurso homossexual das autobiografias francesas do século XX. O estudo pretende desvendar as possibilidades de uma escrita autobiográfica que ousa tocar o “inconfessável”, e oferece toda uma gama de perspectivas relevantes sobre a escrita gay e lésbica na França. As análises dos textos — em que La Bâtarde (A Bastarda), de Violette Leduc, é particularmente notável —, são acompanhadas por uma extensa bibliografia.
Violette Leduc | Carlo Jansiti | 1999 | Grasset
Maurice Sachs lhe “ordena” que escreva, Simone de Beauvoir a descobre em 1945, Albert Camus a publica no ano seguinte. Admirada por Cocteau, Genet, Jouhandeau e Sartre, Violette Leduc é uma figura das mais singulares da literatura francesa do século XX. Seus primeiros livros conquistaram um círculo de admiradores fervorosos, mas não atingiram ao grande público. Durante 20 anos Violette Leduc foi “um deserto que monologa”. Somente em 1964, com o lançamento de A Bastarda — relato autobiográfico no qual narra sua vida sem falso pudor —, ela sai brutalmente da obscuridade. O sucesso de escândalo de A Bastarda, a personalidade pitoresca e tocante da autora terminaram por mascarar a grande escritora. Violette Leduc atravessou o século desafiando convenções e tabus com uma originalidade e uma audácia ainda hoje surpreendentes.
Graças a numerosos testemunhos, e a uma documentação inédita excepcional, esta biografia retraça a vida paralela de Leduc, revela as omissões e os disfarces, ilumina com uma nova e inesperada luz esta “sinceridade intrépida” louvada por Beauvoir. E faz justiça a uma escritora que merece ser redescoberta.
Violette Leduc, la mal-aimée | Colette Hall | 1999 | Rodopi
A vida e a obra de Violette Leduc foram marcadas pelo desespero de não ser amada, pela vergonha de sua bastardia, pela obsessão com sua feiúra e pelo medo do fracasso. Apesar do sucesso de seus 5 primeiros livros junto a autores renomados, ela só foi descoberta pelo público com a publicação de A Bastarda, cuja notoriedade advém em grande parte do aspecto escandaloso de suas revelações. Após sua morte, sua obra tornou a cair no esquecimento. Recentemente, dos 2 lados do Atlântico, redescobre-se a arte incomparável de Violette Leduc. Este livro se propõe a dar continuidade à reabilitação da “bastarda” utilizando novas perspectivas críticas sobre sua obra. Esta marginal, esfolada viva, ousou falar, numa linguagem de um lirismo surpreendente, dos amores femininos. Pela alquimia de suas palavras, ela transformou o quotidiano mais banal numa aventura poética.
Le Temps de l'Autobiographie, Violette Leduc ou La Mort Avant la Lettre | Susan Marson | 1998 | Presses Universitaires de Vincennes
Como é possível escrever uma autobiografia? Basta pegar uma caneta e começar a narrativa de sua vida, esperando encontrar tempo para concluí-la. Mas o tempo, que surge inicialmente como limite exterior, logo se torna um entrave. Pois se a escrita toma tempo, ela o concede também: eis a autobiografia iniciada para jamais terminar; na espera da última palavra, o autor constrói para si mesmo um túmulo com epitáfio e tudo. “Eu nasci da ponta de uma caneta”, escreve Violette Leduc no começo de A Bastarda. Escrever faz nascer o autor, mas a título de personagem. O tempo, desde então, aparece também como o distanciamento que delimita o sujeito contido na escrita, e o transforma em objeto, morto mesmo antes da hora, salvo nas reconstruções em seus únicos traços gráficos. Este livro reflete a duplicidade da autobiografia: gênero constituído por um conjunto de textos e de discursos que colocam em questão sua possibilidade como narrativa, mas que com o mesmo gesto dão origem à autobiografia como escrita.
Violette's Embrace | MicheIe Zackheim | 1996 | Riverhead Books
O romance de estréia de Michele Zackheim é baseado na vida da maior escritora “desconhecida” da França: Violette Leduc. Muitos detalhes da vida de Leduc (revelados através de suas próprias memórias e romances) podem ser encontrados neste livro, que oferece uma fusão eclética entre realidade e ficção, reconstruindo artisticamente a vida da escritora francesa.
Violette Leduc: Mothers, Lovers and Language | Alex Hughes | 1994 | W.S. Maney & Sons
Este estudo, que considera as narrativas de Violette Leduc sob uma perspectiva feminista e psicanalítica, tem duplo foco. A primeira parte examina as complexidades de suas ligações femininas, procurando oferecer novos critérios — inspirados, entre outras coisas, por teóricos como Melanie Klein, Freud, e Luce Irigaray — para interpretar suas representações no relacionamento da mãe/filha e no lesbianismo. A segunda parte examina o uso da linguagem de Leduc em Thérèse et em Isabelle, sondando a extensão que abrange este relato de exemplos do discurso feminista e/ou feminino.
Explorando a evocação lírica da homossexualidade feminina de Leduc de um ponto de vista gênero-relacionado, mais tradicional e formal, o autor do estudo expõe os limites de uma aproximação puramente feminista a seu trabalho.
Violette Leduc, Éloge de la Bâtarde | René de Ceccatty | 1994 | Stock
Vivi durante mais de 20 anos bastante perto e bem distante de Violette Leduc sem jamais tê-la encontrado. Nenhum outro escritor desempenhou tal papel em minha vida pessoal. Nenhum suscitou em mim tal necessidade imediata de identificação. É este curioso sentimento que tentei descrever, confrontando essa obra com outras que foram relevantes para mim.” (Ceccaty)
René de Ceccaty mistura livremente sua antiga paixão pela obra de Leduc com cenas paralelas de sua própria vida íntima — forma tão nova quanto surpreendente de elaborar uma crítica pessoal que aproveita toda a liberdade vertiginosa do romance autobiográfico gay.
Lecteur et Lecture dans l'autobiographie française contemporaine: Violette Leduc, Françoise d'Eaubonne, Serge Doubrovsky, Marguerite Yourcenar | Hélene Jaccomard | 1993 | Droz
Estudo tendo como tema, entre outros, a escritora francesa Violette Leduc.
French Women Writers: A Bio-Bibliographical Source Book: A Bio-bibliographical Source Book | Eva Martin Sartori e Dorothy Wynne Zimmerman | 1991 | Greenwood Press
Este trabalho de referência pretende familiarizar o leitor com as vidas e obras das escritoras mais importantes na história da literatura francesa. Cinqüenta e um ensaios abrangem autoras com ênfase em suas experiências de escritoras, discutindo seus temas principais, e examinando brevemente reações críticas. Cada ensaio é seguido por uma bibliografia de trabalhos preliminares, uma lista dos títulos traduzida no inglês, e por uma seleção de estudos críticos. O volume termina com uma cronologia contendo datas de eventos e tendências de especial significado em relação às mulheres francesas.
Contresquisses, trois études sur Violette Leduc (avec bibliographie analytique) | AdeIaide Iula Perilli | 1991 | Bulzoni Editare
Livro abordando três estudos sobre Violette Leduc.
Œdipe Masqué, Une lecture psychanalytique de L'Affamée de Violette Leduc | Pièr Girard | 1986 | Éditions des Femmes
Psicanálise do amor-paixão de Violette Leduc por Simone de Beauvoir, Œdipe Masqué trata-se de uma tese defendida na Universidade de Paris.
A partir do canto desesperado da autora de L'Affamée, de suas fantasias, das ausências, de suas feridas, de seus temores e sua atração por Simone de Beauvoir — através de quem se perfila a silhueta da mãe de Violette, personagem idolatrado, inacessível — Pièr Girard reconstruiu a história infantil de Leduc. O livro retraça os antecedentes da depressão adulta de Violette, revela seus múltiplos abandonos, mas também mostra a existência idílica entre a mãe e a filha.
Violette Leduc | Isabelle de Courtivron | 1985 | Twayne Publishers
Biografia sobre Violette Leduc.
La Terre est Trop Courte, Violette Leduc | Jovette Marchessault | 1982 | Éditions de la Pleine Lune
Peça criada no Théâtre Expérimental des Femmes (Teatro Experimental de Mulheres) em dezembro de 1981. Traduzida para o inglês por Suzanne De Lotbinière-Harwood sob o título de The Edge of Earth is too Near, Violette Leduc, o texto foi apresentado em leitura pública pelo Ubu Repertory Theater, em New York, em outubro de 1984, tendo sido encenada em Toronto, em 1985.