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Lamentavelmente,
a obra
de Violette
Leduc
quase
não
foi traduzida
no Brasil.
Dos dois
únicos
livros
que chegaram
a tanto,
apenas
um encontra-se
atualmente
em catálogo
(Teresa
e Isabel);
o outro
(A Bastarda)
só
pode ser
encontrado
em sebos. |
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L'Asphyxie
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A
Asfixia
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1946
Em
seu
primeiro
romance
publicado,
Violette
Leduc
narra
as
lembranças
de
uma
bastarda:
ela
mesma.
Sua
mãe
jamais
aceitou
seu
próprio
mau
passo,
e
é
sua
filha
quem
deverá
carregar
o
peso
do
erro
maternal.
Para
Leduc,
sua
mãe
não
passará
da
encarnação
de
uma
Lei
moral
caprichosa
e
absurda.
Privada
do
oxigênio
oriundo
do
amor
materno,
a
pequena
Violette
se
asfixia.
E
esta
asfixia
teria
sido
fatal
se
não
houvesse
sua
avó,
Fidéline,
pois
através
dela
a
criança
pôde
conhecer
o
aconchegante
mundo
da
intimidade
e
da
afeição
no
qual
a
solidão
desaparece.
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L’Affamée
|
A
Faminta
|
1948
A
Faminta
é
a
descrição
do
Amor.
Este
livro
de
Violette
Leduc
nos
leva
ao
âmago
de
um
conhecimento:
frase
após
frase,
passo
após
passo
ele
só
faz
crescer.
As
transposições
feitas
por
Leduc
—
suas
bruscas
incursões
num
domínio
que
poderia
ser
chamado
de
mítico
—
são
impressionantes.
Assim,
cria-se
lentamente
com
eficácia
um
mundo
que
afunda
suas
raízes
no
real
mais
cotidiano
e
que
desabrocha
numa
árvore
de
mil
galhos. |
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Ravages
|
Destroços
|
1955
A
intenção
inicial
de
Violette
com
este
livro
era
contar
de
forma
romanceada
as
três
experiências
amorosas
e
sexuais
que
marcaram
sua
vida:
a
paixão
por
Isabelle,
o
relacionamento
com
Denise,
o
encontro
com
Jacques
Mercier,
com
quem
foi
casada
por
um
breve
período
que
terminou
com
sua
tentativa
de
suicídio
e
um
aborto.
Os
editores
consideraram
demasiado
chocante
a
parte
inicial
(seu
envolvimento
com
Isabelle)
e
recusaram
o
manuscrito.
Mutilado,
o
livro
foi
reescrito
inúmeras
vezes
ao
longo
de
6
anos
até
ser
aceito
pela
editora
(não
sem
diversos
cortes)
em
1955. |
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La
Vieille
Fille
et
Le
Mort
|
A
Solteirona
e
o
Defunto
|
1958
Neste
livro
Leduc
leva
ao
paroxismo
a
fantasia
de
um
amor
sem
correspondência,
no
qual
o
Outro
é
reduzido
à
passividade
das
coisas.
A
Srta.
Clarisse,
solteirona
de
50
anos
—
não
por
falta
de
interesse
dos
homens,
mas
porque
os
desdenhou
—
encontra
uma
tarde,
num
café
junto
à
sua
mercearia,
um
desconhecido
morto.
Cobre-o
de
cuidados
e
ternura
sem
que
ele
atrapalhe
suas
expansões,
fala-lhe
e
inventa
suas
respostas.
A
ilusão,
porém,
se
dissipa,
pois
ele
nada
recebeu,
ela
não
deu
coisa
alguma.
Não
achou
conforto
nele
e
se
reencontra
só
diante
de
um
cadáver. |
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Trésors
à
Prendre
|
1960
O
livro
é
um
autêntico
diário
de
viagem
no
qual
a
imaginação
não
toma
parte.
Os
personagens
que
o
atravessam
são
tão
reais
quanto
o
Maciço
Central
ou
a
Catedral
d’Albi.
Mas
Violette
Leduc,
com
sua
avidez
pela
vida,
provoca
a
todo
instante,
em
todo
lugar,
encontros
dos
mais
curiosos
e
dos
mais
comoventes.
O
relato
de
viagem
é
entrecortado
por
requintadas
reflexões
de
tendência
psico-filosófica. |
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 |
La
Bâtarde
|
A
Bastarda
|
1964
|
publicado
no
Brasil
Principal
obra
da
autora,
esta
narrativa
autobiográfica
de
uma
sinceridade
intrépida
—
como
classificaria
Simone
de
Beauvoir
no
elogioso
prefácio
que
escreveu
para
o
livro
—,
faz
com
que
Violette
Leduc
retome
e
ultrapasse
seus
relatos
anteriores
(L'Asphyxie,
L'Affamée,
Ravages).
Ainda
que
o
erotismo
lésbico
esteja
bastante
presente,
o
leitor
atento
observará
que
ele
se
trata
menos
de
"histórias
escabrosas"
do
que
de
um
"inferno
humano
explorado".
Publicado
no
Brasil
inicialmente
na
década
de
60,
o
livro
foi
reeditado
nos
anos
80.
Hoje
encontra-se
fora
de
catálogo,
só
podendo
ser
encontrado
em
sebos.
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La
Femme
au
Petit
Renard
|
1965
Sob
a
lucarna
de
seu
quarto,
uma
solteirona
faz
as
contas.
Em
oito
dias
ela
dividiu
seis
batatas
um
pouco
de
café,
alguns
cubos
de
açúcar.
Ela
tem
fome.
Para
ludibriar
seu
apetite,
a
mulher
gasta
seu
tempo
passeando
pelo
bairro
em
que
mora.
E
as
lembranças
a
asslatam,
vindas
de
sua
infância
provinciana
no
seio
de
uma
família
burguesa.
Num
de
seus
passeios,
a
solteirona
encontra
nas
latas
de
lixo
uma
estola
de
raposa:
a
doçura
na
face
do
animal
lhe
causa
suprema
afeição. |
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|
 |
Thérèse
et
Isabelle
|
Teresa
e
Isabel
|
1966
|
publicado
no
Brasil
Thérèse
et
Isabelle
se
constituía
na
primeira
parte
de
Ravages,
romance
apresentado
às
edições
Gallimard
em
1954.
Julgada
“escandalosa”
esta
parte
inicial
foi
censurada
pela
editora.
Na
primavera
de
1948,
Violette
Leduc,
encorajada
por
Simone
de
Beauvoir,
começou
a
redigir
este
texto
isolado
ao
qual
ela
dedicaria
3
anos
—
e
com
o
qual
pretendia
descrever
o
mais
exatamente
possível
as
sensações
experimentadas
no
amor
físico
(entre
duas
jovens
alunas
de
colégio
interno).
No
início
dos
anos
60,
parte
de
Thérèse
et
Isabelle
apareceu
no
terceiro
capítulo
de
A
Bastarda:
Violette
Leduc
havia
suprimido
algumas
passagens,
atenuado
metáforas,
modificados
alguns
diálogos.
O
livro,
numa
versão
ainda
com
vários
cortes
só
será
publicado
em
1966. |
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|
La
Folie
en
Tête
|
1970
Violette
Leduc
narrou
o
início
de
sua
vida
em
A
Bastarda.
Em
La
Folie
en
Tête
ela
retoma
a
narrativa
e
mais
uma
vez
se
mostra
por
inteiro.
Na
Paris
do
pós-guerra
a
Bastarda
volta
a
levar
sua
vida.
As
atividades
clandestinas
do
mercado
negro
e
as
persseguições
cedem
lugar
às
atividades
literárias
às
quais
Violette
não
se
sentia
exatamente
destinada
—
mas
que
acabam
absorvendo
e
até
condicionando
sua
nova
existência.
Neste
livro
figura
uma
surpreendente
galeria
de
personalidades,
dentre
as
quais
Sartre,
Simone
de
Beauvoir,
Jean
Genet,
Nathalie
Sarraute,
Colette
Audry
—
entre
outros
—,
que
aparecem
tais
como
podiam
ser
vistos
aos
olhos
de
uma
"provinciana"
sem
nenhum
deslumbramento,
mas
disposta
a
compreender
e
amar. |
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 |
|
Le
Taxi
|
1971
Apaixonados
um
pelo
outro
desde
a
infância,
irmão
e
irmã
decidem
passar
um
dia
inteiro
juntos
num
táxi
transformado
numa
espécie
de
quarto
ambulante.
Este
encontro
preparado
cuidadosamente
durante
um
período
de
iniciação
se
desenvolverá
ao
longo
de
um
deslocamento
pela
cidade
de
Paris.
Análise
de
um
amor
original,
este
relato,
extenso
diálogo
ritmado
pelos
gestos,
constitui-se
numa
melodia
lírica
e
poética. |
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|
La
Chasse
à
L’amour
|
1973
Terceiro
e
último
volume
de
sua
trilogia
autobiográfica,
La
Chasse
à
l’Amour
não
pôde
ser
inteiramente
concluído
por
Violette
Leduc,
que
faleceu
em
28
de
maio
de
1972.
O
término
do
relato,
bem
como
sua
publicação,
coube
a
Simone
de
Beauvoir
(herdeira
moral
da
obra
de
Leduc).
Este
livro
compreende
o
período
entre
1954
e
1964.
Segundo
Beauvoir,
Violette
pretendia
dar
continuidade
a
esta
narrativa
oferecendo
aos
leitores
suas
impressões
sobre
o
sucesso
e
a
celebridade
alcançados
com
a
publicação
de
A
Bastarda. |
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|
Thérèse
et
Isabelle
|
2000
|
versão
integral
Enfim,
a
publicação
integral
de
Thérèse
et
Isabelle,
tal
como
Violette
Leduc
o
havia
idealizado
e
escrito
originalmente,
com
suas
páginas
inéditas
acres
e
preciosas,
sua
língua
nua
e
violenta,
testemunho
de
uma
liberdade
de
tom
que
nenhuma
escritora
francesa
jamais
havia
ousado
antes
dela.
Hoje,
finalmente,
o
livro
surge
com
sua
coerência
inicial
mostrando
o
quanto
o
amor
pode
ser
escrito
no
feminino:
como
prazer. |
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|
Je
Hais
les
Dormeurs
|
2006
Ler
a
obra
de
Violette
Leduc
nos
fornece
sempre
alguma
experiência:
experimentação
das
palavras,
de
seu
sentido
e
contra-sensos,
da
obsessão
da
escrita,
do
lado
carnal
do
texto.
Este
relato
curto
e
denso,
publicado
em
1948
e
jamais
reeditado,
nos
conduz
através
da
noite
insone
de
uma
mulher
entre
a
realidade
e
a
fantasia.
A
ilustradora
Béatrice
Cussol
apodera-se
do
texto
para
imaginar
sinuosidades.
É
com
uma
evidência
conveniente
que
ela
nos
fornece
sua
visão
sem
concessões
da
narrativa,
e
um
quebra-cabeças
se
forma
ao
longo
das
páginas
numa
imagem
inteira
na
qual
os
olhos
se
perdem
sem
encontrar
descanso,
como
nas
noites
de
Violette
Leduc. |
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|
 |
Correspondance
1945-1972
|
2007
Violette
Leduc
adorava
escrever
e
receber
cartas.
Tudo
o
que
podia
revelar
algo
de
íntimo
a
encantava.
As
Cartas
Portuguesas
e
as
de
Van
Gogh
a
Théo
eram
seus
livros
de
cabeceira
—
e
lhe
serviram
como
companheiros
e
modelos.
Ela
se
reconhecia
neles.
Violette
foi,
ela
mesma,
uma
epistolária
incansável,
obsessiva
até.
Como
não
ceder
à
vertigem
da
efusão
do
monólogo?
Esta
tinta
era-lhe
vital.
O
gesto
epistolar
é
para
Violette
Leduc
uma
forma
de
atingir
a
ficção,
um
modo
particular
de
ressurreição.
A
escrita
privada
e
livre
de
uma
carta
não
conhece
os
mesmos
constrangimentos
de
um
texto
publicado.
Não
há
censura,
nem
proibições,
nem
decências.
Como
num
diário
destinado
a
si
mesma,
as
cartas
de
Violette
Leduc
podem
dizer
tudo.
Ou
quase.
Sem
economia,
sem
limites,
sem
piedade.
Cabe
ao
destinatário
acompanhá-la,
e
defender-se.
Pois
em
suas
cartas
Violette
diz
o
que
não
ousa
confessar
ou
impor
de
viva
voz,
“porque
uma
carta
recebida
é
lida
em
poucos
minutos
e
não
importuna
como
uma
presença”.
Textos
escolhidos,
organizados
e
prefaciados
por
Carlo
Jansiti.
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1946
|
L'Asphyxie
|
A Asfixia
1948
|
L'Affamée
|
A Faminta
1955
|
Ravages
|
Destroços
1958
|
La
Vieille
Fille
et Le
Mort |
Les Boutons
Dorés
|
A Solteirona
e o Defunto
|
Os Botões
Dourados
1960
|
Trésors
à
Prendre
1964
|
La
Bâtarde
|
A Bastarda
|
publicado
no Brasil
1965
|
La
Femme
au Petit
Renard
1966
|
Thérèse
et Isabelle
|
Teresa
e Isabel
|
publicado
no Brasil
1970
|
La
Folie
en Tête
1971
|
Le
Taxi
1973
|
La
Chasse
à
L’amour
2000
|
Thérèse
et Isabelle
|
versão
integral
2006
|
Je
Hais les
Dormeurs
|
Eu Odeio
os que
Dormem
2007
|
Correspondance
1945-1972
|
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