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Sei
muito bem: não é nada prático fazer
a leitura de um texto com muitos capítulos usando
a Internet. Por isso, antes de decidir tornar
meu livro integralmente público, busquei algumas
editoras a fim de que a publicação ocorresse
num suporte convencional, o papel. Entretanto, num país
com poucos leitores, poucas livrarias e — paradoxalmente
— inúmeros candidatos a escritor a oferta
acaba sendo muito superior à procura, o que cria
uma espécie de funil por onde pouquíssimos
conseguem passar.
Um livro só existe quando pode ser lido, e eu já
estava farto de relegar o meu ao fundo de uma gaveta.
Entretanto, não me agradava a idéia de contratar
uma gráfica para imprimir meu original, não
só por achar desejável o aval de uma editora,
neste caso, bem como por não ter a menor vocação
para vendedor — já que, geralmente, uma das
funções de quem paga a própria edição
acaba sendo a distribuição de seu produto.
Aqui, porém, neste formato ainda pouco explorado,
e de certo modo bem mais acessível que o usual,
a publicação de Os Malabaristas
me parece relativamente satisfatória: enfim, ele
existe.
Jamais pensei em ganhar dinheiro com meu livro. Minha
intenção, por mais romântica que pareça,
era poder fornecer a um provável leitor a oportunidade
de se distrair, de refletir, de se emocionar... em suma,
de ter algum prazer com a leitura — ainda que este
prazer tenha uma conotação específica
para cada um. Isso não significa que eu considere
meu romance como algo excepcional, pelo contrário,
ele não apresenta nenhuma fórmula revolucionária
ou vanguardista, trata-se tão-somente da história
(com início, meio e fim) de gente comum que busca
se encontrar.
Além de algumas pessoas abalizadas que leram Os
Malabaristas e que viram nele certas qualidades,
durante 2 anos publiquei fragmentos do livro num blog
que mantive até junho de 2006, a fim de saber qual
seria a repercussão do texto aos olhos de prováveis
futuros leitores. Acreditando que os comentários
foram sinceros, fiquei muito satisfeito com o resultado
do "teste" — alguns leitores conseguiram
até se identificar com os protagonistas!...
Tenho consciência de que a leitura de certos trechos
pode diferir muito da leitura do todo ao qual pertencem,
mas a boa aceitação de parte de uma obra
não deixa de ser um bom indício de que o
conjunto poderá agradar também — talvez
até mais por permitir uma visão completa
do que antes era fragmentário. Não sei se
alguém terá curiosidade, interesse e paciência
de ler o romance na íntegra numa tela de computador,
ainda assim eu gostaria de oferecer esta possibilidade.
Não se pode ganhar sempre, mas isso não
nos impede de adaptarmos nossos desejos a uma realidade
viável. Impresso em papel, Os Malabaristas,
por seu volume, provavelmente seria um livro caro. Aqui
ele está disponível gratuitamente a todos
os que compreendem a língua portuguesa, não
importa em que lugar do planeta se encontrem. Aos que
tiverem coragem, boa leitura!
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